O que aconteceu com o Amor e com os Amantes?

No final de janeiro eu tive um casamento na praia e foi a oportunidade perfeita para uma mini férias e para dar uma espairecida.

Nesse tempo eu pude refletir sobre vários tópicos, mas um acontecimento específico me fez dar atenção novamente para a pauta relacionamentos.

Então já que estávamos celebrando um casamento na praia, já que aconteceu algo que me deixou bem reflexiva e já que eu fiquei noiva (simmmm, foi um pedido tão lindo, tão espontâneo, tão nosso e tão especial) esse assunto se tornou o foco novamente.

Pois é, eu fiquei noiva e ainda é tudo muito novo para mim… eu não entendo nada desse universo de organização de casamento e etc. apesar de eu e meu noivo já estarmos organizando a nossa vida e o nosso futuro lar há algum tempo.

Mas a reflexão que eu quero trazer aqui é: o que aconteceu com o amor e com os amantes?

Talvez ainda reste no mundo alguns poucos românticos incuráveis que ainda acreditam no amor e na instituição do casamento, porque o que eu vejo é que muitas pessoas que estão dentro de um relacionamento — teoricamente sério — não entendem nada de relacionamento e, muito menos, de amor.

Amor é uma palavra tão sublime, tão grande e tão profunda, mas foi reduzida por muitos a apenas mais uma banalidade expressada da boca pra fora.

É um pouco triste, mas é a realidade.

E eu creio, piamente, que nós, os últimos românticos, temos a grande responsabilidade de sermos verdadeiros agentes e mensageiros do amor.

Relacionamento amoroso, no meu ponto de vista, não deve ser fundado só em um sentimento de atração ou paixão. Deve ser fundado em alicerces sólidos, como a verdade, o respeito, a lealdade, o companheirismo, a amizade e a confiança.

Esses valores, para mim, dentro de um relacionamento, são inegociáveis. Sem essa base não há quem resista às marcas do tempo.

Quando essa base está sólida, existe comunicação, existe admiração, existe amor.

É um pouco triste ver relacionamentos que se desgastam em mentiras, em controle, em desconfiança, em medo, em instabilidade, em jogos de ego, em competição etc.

E depois de ouvir tantas histórias por aí eu resolvi trazer esse questionamento.

Por favor, não me leve a mal.

Longe de mim querer julgar a forma como as pessoas decidem viver as suas vidas, mas eu sei que por baixo dos panos muitas pessoas sofrem caladas, sem coragem de tomar uma atitude, sem coragem de impor limites e de impor a sua verdade.

O problema é que muitas pessoas acreditam que relacionamentos são difíceis, que homens traem, que mulheres são difíceis — ou que são provocativas —, que o casamento acaba com a paixão, que o casamento é o começo do fim do relacionamento… enfim.

Existe uma infinidade de crenças negativas que orbitam o mundo dos relacionamentos, mas eu preciso te dizer: são só crenças!

Essas crenças negativas não são a realidade última. São apenas uma lente que muitas pessoas, de forma consciente ou inconsciente, escolheram vestir para enxergar a vida.

Por que não acreditar que relacionamentos podem ser saudáveis, que homens são fiéis, que mulheres são igualmente fiéis, que ambos se respeitam até longe da presença um do outro, que o relacionamento só melhora com o tempo, que o casamento é um ritual lindo de construir uma história e uma família…?

Bom, eu escolhi vestir a lente do amor.

E a partir do momento que eu escolhi vestir essa lente, eu pude finalmente experimentá-lo.

Afinal, tudo é ressonância. Atraímos aquilo que somos e aquilo que acreditamos.

E o amor… bem, o amor… nem vou perder o meu tempo tentando defini-lo, mas quem sente sabe que quando existe amor, existe cuidado, parceria, respeito, verdade.

Verdade!

Essa palavra tem um grande significado em todas as áreas da nossa vida.

Eu sou uma grande defensora da verdade, porque eu acho que se as pessoas fossem mais honestas — consigo mesmas em primeiro lugar — os relacionamentos seriam fichinha…

O problema é que muitas pessoas não sabem ser honestas nem consigo mesmas, então como vão conseguir expressar a sua verdade para outras pessoas?

Entrar em confronto com os nossos verdadeiros sentimentos, pensamentos e vontades, nem sempre é uma tarefa confortável. Mas eu acredito que quando acessamos a nossa verdade, nos damos a chance de receber a verdade do outro.

Se escondemos coisas dentro de nós, estamos fechando o espaço para que o outro seja verdadeiro também. Daí quando a verdade vem à tona, ela sacode e muda tudo.

Viver um amor verdadeiro nos expande.

Nos faz perceber que somos capazes de dar tanto sem esperar nada em troca.

Nos faz querer crescer e ser uma pessoa melhor.

Nos dá paz, felicidade, prosperidade.

Nem sempre foi assim para mim. Eu tive meus momentos de imaturidade e de crenças negativas também.

Eu passei por relacionamentos em que eu não me sentia valorizada e que eu sentia que não eram honestos. E eu aceitei muita coisa que eu não precisava.

Era a minha vontade de amar e ser amada me fazendo pisar em ovos e permanecer em certas situações porque eu não tinha coragem de confrontar a minha verdade interior e as minhas crenças.

Mas eu nunca desisti de querer ser melhor — primeiro para mim mesma e depois para o outro.

Eu nunca desisti de querer viver um amor verdadeiro.

E quando eu fui honesta comigo sobre o que eu queria pra minha vida, as minhas atitudes ficaram mais firmes.

Eu aprendi a me comunicar melhor.

E eu aprendi a enxergar quem estava na mesma sintonia do amor — a única e verdadeira medicina que existe no mundo.

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