A Cultura da Magreza

Ao longo da minha jornada pessoal de bem-estar e autoconhecimento, percebi que a busca pela magreza extrema, tão valorizada nas redes sociais, não é um estilo de vida sustentável ou saudável.

Como uma mulher de 30 anos - já depois de algumas épocas bem restritivas - eu prezo pelos prazeres da comida, mas de forma consciente. A alimentação equilibrada que adoto no dia a dia, não só me ajuda a manter meu corpo no seu estado natural e ideal, conforme minha constituição física, mas também me permite apreciar a vida sem as neuras do culto ao corpo magro.

Ok… não tão sem neuras assim… mas a preocupação que eu tenho hoje é bem menor, porque eu tomei a decisão de aproveitar as coisas gostosas da vida rsss. E hoje, já mais madura, eu sei que o meu valor não se mede pela balança ou pelos ossos aparentes e músculos “rasgados”.

Sim. Um corpo magro e definido é bonito, mostra que a pessoa cuida da aparência. Mas será que ela cuida do resto? Eu gostaria de saber!

Na sociedade atual, o culto à magreza é predominante e incentiva padrões de beleza muitas vezes inatingíveis. A pressão para se conformar a esses padrões afeta profundamente a autoestima de muitas mulheres, minando sua confiança e promovendo uma incessante comparação com modelos irreais.

No entanto, é fundamental lembrar que a verdadeira saúde não se resume à aparência física. O Ayurveda, essa prática ancestral de saúde holística, nos ensina que estar saudável é estar em equilíbrio, respeitando nossa natureza singular.

E nem sempre estar “seca” é a nossa natureza ideal.

Há mais de 5 mil anos, o Ayurveda ensina sobre a importância de nutrir adequadamente os tecidos do corpo, conhecidos como dathus, que incluem músculos, sangue, ossos e articulações. Esses tecidos são vitais para uma imunidade forte e um metabolismo eficiente, o famoso 'agni' – o fogo digestivo essencial para transformar e assimilar não só alimentos, mas também emoções.

Um agni equilibrado nos permite evitar doenças com mais facilidade, manter um metabolismo ativo, e desfrutar de energia, clareza mental e longevidade.

Mesmo pessoas magras podem ter tecidos intoxicados, um agni enfraquecido, e toxinas acumuladas nos canais, o que pode levar a problemas de saúde como baixa imunidade, fadiga e desequilíbrios hormonais.

E não podemos nos esquecer de como uma sociedade de corpo “seco” revela uma sociedade de emoções secas.

Essa observação tem tudo a ver com os aspectos dos nossos corpos sutis de energia. Afinal, o corpo físico alimenta o corpo energético. E vice-versa.

É evidente que a cultura da magreza afeta não só nossa saúde física como também a mental e emocional. Essa obsessão por corpos magros gera um ciclo vicioso de frustrações, levando algumas pessoas a dietas extremas, exercícios exaustivos, e eventual desenvolvimento de transtornos alimentares.

Na minha vivência, aprendi que fortalecer o meu agni por meio de atividade física regular e uma desintoxicação eficiente e periódica é fundamental para reequilibrar o meu corpo.

O mais importante é reconhecer que a nossa identidade não deve ser definida apenas pela aparência física, mas sim pelos nossos valores, princípios e por quem somos em essência.

Mulheres devem buscar a sua autoconfiança em sua própria natureza, reconhecendo seus valores, princípios e estilo de vida, em vez de se fixarem em padrões de beleza inalcançáveis.

O autoconhecimento é fundamental para identificar o que nos faz bem e nos afasta das expectativas sociais dominantes. Devemos celebrar nossas diferenças e respeitar o que cada uma tem de único.

Não há nada de errado em ser magro. O errado é tornar a magreza o natural quando ele não é para muitas pessoas.

Além disso, magreza está longe de ser sinônimo de saúde. Aprender a ouvir nosso corpo e nutrir nossos tecidos de maneira adequada é crucial para uma vida saudável e equilibrada.

Devemos abraçar quem somos e encontrar a verdadeira felicidade além do espelho, apreciando os prazeres que a vida nos oferece de maneira consciente e equilibrada.

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