Sobre Relacionamentos
O ato de se relacionar é, sem dúvida, uma das experiências mais complexas da condição humana. E isso não se limita apenas aos relacionamentos afetivos, mas abrange todas as interações, sejam elas com amigos, familiares, colegas de trabalho ou até mesmo desconhecidos.
Eu sempre fui uma pessoa introspectiva, e por muito tempo acreditei que isso fosse uma barreira para me relacionar. De fato, trouxe desafios, mas com o tempo percebi que essa característica não era um obstáculo, mas sim uma parte essencial de mim. Ao aceitar isso, consegui me abrir para relações mais autênticas, harmoniosas e profundas.
Muitas pessoas enfrentam dificuldades nos relacionamentos, e acredito que isso se deva, em grande parte, às máscaras que usamos e às ideias preconcebidas que temos sobre os outros. Quando não nos empoderamos de quem realmente somos, com nossas personalidades, visões de mundo, forças e fraquezas, não conseguimos enxergar o outro em sua totalidade.
Sem esse momento de vulnerabilidade, os relacionamentos se tornam superficiais, meras projeções. Carl Jung, de quem sou grande admiradora, nos apresentou os conceitos de anima e animus. A anima representa o inconsciente feminino no homem, enquanto o animus é o inconsciente masculino na mulher. Quando não reconhecemos essas energias dentro de nós, buscamos fora, o que gera as projeções, raiz de muitos problemas de relacionamento.
Projeções são expectativas que criamos sobre os outros. Elas nos cegam e nos fazem acreditar em uma imagem distorcida de como a pessoa deveria ser. Inevitavelmente, a verdade vem à tona, causando frustração e dor.
Buscamos no outro o que achamos que nos falta, mas a solução está em reconhecer que somos completos, com nossas imperfeições e talentos. Quando somos inteiros, ningué nos tira de nós. Cada um de nós tem suas próprias habilidades, desafios e maneiras de se expressar. A beleza dos relacionamentos está em explorar o universo único que é cada pessoa, com suas diferentes perspectivas e histórias de vida.
Todos desejamos um parceiro ou parceira de vida, mas poucos estão dispostos a se vulnerabilizar, a mostrar suas fraquezas, a serem verdadeiros. Poucos acolhem a anima ou o animus dentro de si para enxergar a plenitude em si mesmos e nos outros.
Quando isso acontece, os relacionamentos deixam de ser fruto do acaso e se tornam uma escolha consciente e respeitosa. Sem expectativas, não há frustração, mas sim diálogo aberto - verdade.
No passado, idealizei e romantizei os relacionamentos, mas hoje vejo as coisas de forma mais prática. Isso não significa que não acredito no amor; pelo contrário, agora entendo o que é amor. Os relacionamentos seriam mais simples se fôssemos honestos conosco em primeiro lugar. Muitos se escondem de si mesmos, mas quem se abre para a verdade encontrará outros que também estão de olhos abertos. Porque sentimos, sabemos.
Como esperar ser amado se não somos capazes de amar? Qualquer relacionamento que desejamos requer cultivo. Somos seres dinâmicos, em constante mudança. O que queremos manter, precisamos nutrir, sem expectativas, para que floresça naturalmente.
Simples assim.
Com carinho,
Morgana.