Quem tem Boca vai à Roma

Nunca fui uma pessoa muito extrovertida e comunicativa. Quando pequena, eu ouvia da maioria das pessoas com quem tinha contato que eu era quieta demais, calada demais, tímida demais.

Ouvir aquelas coisas era verdadeiramente desestimulante para a pequena Morgana. Ela se fechava ainda mais em seu próprio casulo e desejava não sair de lá nunca mais. Queria ser invisível, quase imperceptível, para que ninguém mais pudesse criticar a sua timidez.

Cresci acreditando que eu realmente era uma pessoa muito tímida. E essa crença me limitava a tal ponto que nem eu mesma tinha segurança na minha capacidade de comunicação. Parecia que a minha voz e a minha opinião eram tão pequenas que não valiam a pena serem expostas.

Já com a maturidade (beirando os 30 anos), se eu tivesse a oportunidade de conversar com aquela pequena Morgana, diria a ela que não há nada de errado em ser mais quieta, mais reservada, mais observadora. Ela só precisaria abraçar essa personalidade e criar o seu próprio jeito de se expressar, sem dar ouvidos ao que as pessoas diziam.

Muito precisei desconstruir das minhas próprias crenças sobre a minha personalidade para conseguir desenvolver a minha verdadeira voz. Hoje eu compreendo que está tudo bem em ser uma pessoa mais introvertida. Em contrapartida, eu ainda estou na caminhada para aperfeiçoar a minha voz e aprender a expressar o que eu realmente penso e sinto.

Já dizia o velho ditado “quem tem boca, vai à Roma”.

A comunicação é um aspecto fundamental da experiência humana e da vida em sociedade. A linguagem expressa em suas mais variadas formas, verbal e não verbal, são capazes de levar um ser humano a qualquer lugar e a construir grandes feitos.

Todas as nossas interações sociais se dão graças à comunicação. E a comunicação, o intercâmbio de ideias e experiências, levam ao crescimento e ao aperfeiçoamento.

E aqui me pego abraçando a minha personalidade e aperfeiçoando o meu jeito de comunicar. Eu sou uma pessoa profunda e gosto de criar conexões profundas. E percebi que transmitir isso na minha comunicação é essencial para que a minha voz seja verdadeiramente ouvida. Afinal, eu não gosto de falar só por falar. Para mim, falar abobrinha é um grande desperdício de energia. Então que a minha fala seja realmente relevante e acrescente algo a quem a estiver ouvindo.

Não sou uma pessoa muito extrovertida ou brincalhona. As vezes que tentei transmitir isso na minha comunicação não soou verdadeiro. Nem a mim, nem aos receptores da minha mensagem, com certeza.

Com essa experiência eu aprendi que a nossa comunicação deve expressar aquilo que somos em essência. Deve refletir aspectos da nossa personalidade e da nossa individualidade. Não soa verdadeiro quando tentamos ser algo que não somos, por mais que admiremos em outras pessoas aspectos que gostaríamos de ter.

Veja bem que não estou dizendo que não devemos nos aperfeiçoar e aprender com quem tem o dom de se comunicar. Muito pelo contrário. Precisamos sim empenhar todos os esforços para aprender a expressar a nossa voz para o mundo. Existem muitas pessoas que dominam essa arte e certamente temos muito a aprender com elas. Há uma infinidade de livros e de cursos que podem ser de grande valia para quem deseja dominar a arte de se comunicar.

O que quero dizer, é que precisamos carregar na nossa comunicação a nossa autenticidade. Aquele ‘tchan’ que é só nosso. Mas para que a nossa autenticidade ganhe espaço, é preciso fazer um profundo trabalho de autoconhecimento.

Não temos como fugir dessa jornada interna que nos revelam tantos aspectos ocultos sobre nós mesmos. Aos poucos vamos retirando as camadas, conhecendo aquilo que somos em essência, e adquirindo segurança para comunicar de forma assertiva.

Neste espaço irei explorar as minhas habilidades de comunicação por meio da escrita. Meus pensamentos são incessantes, criativos e cheios de vida. Estou ainda aprendendo a interpretá-los e transmiti-los da melhor forma para o mundo exterior por meio das palavras.

Você irá me acompanhar nessa jornada que já começou há algum tempo, mas agora está tomando mais corpo.

Aprendi que ter autoridade na fala é se apropriar de si mesmo. É abraçar a própria individualidade e expressá-la em sua forma mais pura.

Dominar a fala é, em primeiro lugar, dominar a si mesmo. A autenticidade precisa ser descoberta para que a maestria possa emergir.

Com carinho,

Morgana.

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